7 de fevereiro de 2015

Ao canalha, com gratidão

Crápula; canalha; escroque.
Salve a arte de tucanar o escroto!

Mas o escroto, ele mesmo, se descortina só de ser.

Em cada canalha, crápula, escroque há um quê de escrotidão que a escola dos anos identifica – não adianta disfarçar, meu bem.

Thank you very much, sorriso à toa! Boa gente romântica, brother; pós-ninfeta colombina do pierrot desse carnaval cotidiano, que numa quarta-feira de hospício insistentemente vai desembocar.


Aprendo.

24 de novembro de 2011

Meu DNA não é de chimpanzé

Existe o padrão. Segue-o ou rompe-se com ele. A mim pouco importa, desde que a escolha reverbere o desejo da alma. De nada vale seguir por um rumo pintado por outro. Tampouco romper com tudo pelo rompimento em si e mais nada.

Há que se ter embasamento na vida, se não tudo fica vazio e o viver, vão – desperdiça-se o ser gente. Se o DNA me difere do chimpanzé uns poucos %, que a minha capacidade de escolha seja essa diferença.

E que reflita a alma, a despeito de tudo de sensato e de delirante que haja ao meu redor.

22 de maio de 2011

Liberdade de verdade

Liberdade é coisa pra dentro. É coisa que se conquista sobre si mesmo, não sobre o mundo. Quem crê no viver independente do outro se engana: vive sem laço e não percebe que chama de liberdade o que é solidão. Porque gente precisa de gente – é de interação que se alcança plenitude.

Liberdade de verdade é ser fiel a si. É colocar-se no mundo de acordo com o que faz sentido para si, mesmo quando não tem nexo para o outro.

Essa liberdade de verdade é quase uma coragem... talvez seja coragem em máxima potência.

Às vezes acontece de a gente ter só duas opções. Uma é atender expectativas externas e trair a própria alma. A outra, segurar o mundo no peito e se transformar no que é.

Em princípio, ambas são dor. Mas dependendo da opção, a dor se transforma em entendimento e a gente passa a enxergar a alegria de ser fiel a si.

Afinal, liberdade de verdade é cada um carregar as pedras que lhe pertencem, e de mais ninguém.

Viva a liberdade.

14 de maio de 2011

Ex
ponho-me

Para quebrar ao meio a casca, primeiro me espalho. Em mim já não caibo. Espremida na velha parede - não sabia! -, aquela parede não sou mais.

A parede é eu no passado, é fui. E o que fui virou casca. Expando-me.

À força quebro a casca, parto o que fui em dois: agora era. Desfaço-me da fronteira conhecida e, então, sou.

Renasço. Me re-conheço. Refaço meus contornos no espelho e com eles traço uma nova verdade.

Exponho-me. Amo você.

26 de dezembro de 2010

Tempo

Demos um tempo neste blog por falta de tempo.
Quem sabe a gente volta, neste ou em outro endereço.

Até mais.

28 de fevereiro de 2010

A alma boa

Em meio a esse monte de catástrofe que vem acontecendo desde o início do ano mundo afora – e olha que ainda estamos entrando em março – um monte de questões filofófico-existenciais acabam passando pela cabeça. Coisas do tipo e aí, se tudo acaba de repente, pra onde você acha que vai? Céu, inferno, purgatório, lugar nenhum; será que vamos ficar, será que se ficarmos vai ser melhor ou pior? Onde você pretende estar quando o fim dos tempos chegar?

Um físico primo de uma amiga diz que o mundo não vai acabar, o que vai acontecer é um expurgo e só um terço da população vai resistir – o um terço melhor: os melhores corações, as melhores pessoas, só gente boa. E aí, você entra em que parte, no um terço de almas boas, ou nos dois terços que sobram?

Eu não sei dizer, até porque parei em uma pergunta anterior a essa. O que é ser bom? O que define uma boa alma, alguém explica? Não é assim tão simples, porque ser humano é carregar em sim luz e sombra, não é? Então, talvez, o que distingue o bom do mau é a forma como cada um lida com a porção de sombra que carrega na alma; é o bem que se consegue extrair do mal que mora na gente.

Ontem fui assistir A Alma Boa de Setsuan, de Brecht, que está em cartaz no Tuca há algum tempo, e está em temporada popular, a R$ 30, até o fim de março. Vou falar que vale muito a pena, porque Marco Antonio Braz (dir.), Denise Fraga e grande elenco conseguiram fazer uma montagem cômica que te deixa meditando e meditando e meditando sobre questões filosófico-existenciais como essa de ser bom X ser mau, mas sem sofrimento, com leveza.

Corra para o Tuca se você ainda não foi. Eu vou ficar aqui, pensando, pensando, e revendo todo o significado que vai na frase da peça que mais me atingiu, certeira. “...afinal, a maldade é apenas uma imperfeição”.


10 de fevereiro de 2010

Amfibus: a Arca de Noé do nosso tempo

Diante do dilúvio que inundou vários Estados do Brasil desde o início do verão, e de todas as ameaças “tsunâmicas” que o aquecimento global nos impõe – juntando a isso as crenças sobre o fim do mundo, como a interpretação do calendário maia –, muita gente vem recorrendo ao Gênesis em busca de algum alento. Nessa procura por uma explicação que dê sentido mais elevado à fúria da natureza, vira e mexe são mencionados o bom Noé e sua velha arca.

E não é que uma notícia publicada hoje na BBC dá conta de uma novidade digna do personagem bíblico e da nossa realidade pré-submersa?!

Trata-se do Amfibus, um ônibus anfíbio fabricado na Holanda, com capacidade para 45 passageiros (caberiam 22 casais de cada espécie, além do motorista).

Nas ruas, ele funciona normalmente; na água, é movido por turbinas. Por enquanto está em teste em Glasgow (Escócia), mas, se tudo der certo, deve entrar em funcionamento logo mais.

O problema é que o preço da novidade ainda é salgado: R$ 2 milhões. Se não baixar, já viu o que vai acontecer, né? Em tempos de capitalismo, quando as águas rolam, o resgate não é democrático como foi o de Noé. Pelo contrário. Sobrevive ao dilúvio apenas quem pode pagar para fugir dele.

Se bichos serão salvos? Sim, mas apenas os lulus de estimação.

6 de fevereiro de 2010

Sobre “as outras” de Tiger Woods

Que raio de mundo é esse em que, pra justificar uma pulada de cerca, o sujeito se intitula ninfomaníaco?

Acho muito chato isso de olhar em volta e perceber que, em pleno século 21, o público aceite melhor uma explicação baseada numa patologia fake do que um mea culpa justificado pelo desejo – direito legítimo de toda pessoa dona da própria vida.

4 de janeiro de 2010

2010 FELIZ!



Que neste ano a gente consiga dar conta de TODOS os afazeres sem prejuízo àquilo que acaba ficando em segundo plano – e que tenhamos sabedoria para distinguir o que merece ficar em segundo plano.


Que a saúde continue nos brindando e que nossos olhos estejam bem abertos, os músculos bem trabalhados e o coração disposto, para que a gente possa enxergar as boas oportunidades e nos agarrar a elas com unhas, dentes e paixão.

Que o SIM promova, em 2010, muito mais ganhos do que perdas de tempo. E que a gente possa estar mais junto de quem e do que nos faz bem, sem deixar de lado a disposição de olhar os erros, as dificuldades e os nãos com o espírito do discípulo eterno.

FELICIDADES!

30 de agosto de 2009

Um horizonte e quatro palavras


VENHA PARA ALTO PARAÍSO!

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10 de maio de 2009

por dentro de Alice

Cobram-lhe coerência. Em suas ações, pensamentos e emoções ambivalentes combram coerência. E na cobrança vai a súplica - quase chorosa é a súplica - por um vestígio de nexo próprio.

"Coerência é quando o que a gente sente combina com o que a gente pensa?" A interrogação move Alice.

Por quê?

Porque cada pensamento que a cabeça de Alice pensa é o extremo oposto do sentimento que o coração de Alice sente. Entendeu? E assim, como acontece com muitos, Alice facilmente se perde nas ambivalências do espírito, fazendo escolhas sem nexo.

E quando metade dela é amor, a outra metade não sabe o que sente.

18 de abril de 2009

O que irá nos acontecer

O Brasil tem a patente de uma tecnologia barata e de fácil desenvolvimento, capaz de produzir água doce a partir da água dos oceanos. Ou seja: a temerosa escassez de água não é tão temerosa assim, você sabia? Eu não fazia nem idéia disso, mas quem contou foi o jornalista e professor Márcio Pugliesi, filósofo, advogado e professor da PUC-SP.

Ele esteve batendo um papo hoje (18) com o jornalista Heródoto Barbeiro e com os especialistas em Relações Internacionais Salem H. Nasser (FGV) e Gunther Rudzit (Faap) no teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (SP).

O debate precedeu o lançamento do livro “
O novo relatório da CIA, como será o amanhã” (Geração Editorial, 192 págs., R$ 29,90), com introdução assinada pelo Heródoto. Só que a conversa não foi sobre o livro em si, mas sim sobre os principais pontos do relatório.

Mas que raio de relatório é esse?

Trata-se de uma produção do
National Intelligence Council (NIC), grupo formado por 16 agências de inteligência. Uma delas (e a principal) é a CIA. Você sabia que os EUA têm esse monte de agências de inteligência? Nem eu.

Enfim, esse relatório é o quarto produzido pelo NIC e segundo publicado no Brasil. Nele é apresentado o que esse grupo e mais um monte de especialistas americanos e não americanos projetam para o mundo até 2025.

Muito bacana de ler – mas SEMPRE usando a crítica, como lembra Salem Nasser. “Ao produzir e divulgar essas informações se quer também influenciar os acontecimentos que moldarão o futuro.”

Vou ler, depois eu conto.

5 de abril de 2009

Balada multi

Falaram muito da qualidade multimídia do Skol Sensation, que rolou neste 4 de abril, no Anhembi. Foi um evento multi tudo.


Quando você comprava o convite, levava junto dois passes de metrô. Quem optou pelo transporte público contou com ônibus grátis que levavam a galera da estação Tietê para o Anhembi. Esperto quem fez isso. Eu não fiz e na volta fiquei parada com milhares de pessoas num tremendo congestionamento, logo às 7h da manhã.

Achei bem medida a quantidade de caixas e bares, e uma alternativa bacana os carrinhos – tipo os que vendem sorvete na praia – que se embrenhavam no meio da pista vendendo cerveja.

Não vi nenhuma confusão, muito pelo contrário. O branco das vestes contaminou o espírito da balada. A paz reinou em meio a sonzeira misturada ao alucinante show de imagens, luzes, chafarizes d’água e performances de dançarinas, contorcionistas e seres fluorescentes – algumas atrações lembravam o Cirque du Soleil.



Enquanto tô aqui escrevendo sobre o evento, vejo no Twitter link para a crítica da Rolling Stone. Discordo geral. Pro meu gosto a atração fez jus à propaganda, cumpriu a promessa de experiência inédita.

Em termos musicais, gostei muito da apresentação de Fedde Le Grand e, mais tarde, de Ferry Corsten, mas o auge da balada foi o Megamix – meia hora de clássicos da música eletrônica. Quem participou do “movimento” lá nos idos de 1998 / 2000, foi ao delírio nessa meia horinha.


Como disse lá em cima, a estrutura armada foi mega e multi. Só duas coisas me pareceram estranhas. Primeira, a entrada com chiclete, pirulito e bala (as legais, ok?) era proibida (!?!). Logo no portão a mocinha que me revistou cutucou meus bolsos, mexeu na bolsinha que eu levava e perguntou “vc tá levando halls, chicletinho, pirulito...?”. Não entendi...

A segunda foi a falta de lixeiras, zero lixeira na balada (salvo nos banheiros). Sem ter onde deixá-los, os copos plásticos foram direto pro chão. No acender das luzes, lá pelas 6h, o piso do Anhembi fora coberto por um tapete de copinhos.

fotos 1, 2 e 3: divulgação
foto tapete de copinhos: eu, do celular

29 de março de 2009

Uma baforada, por favor

Muitas vezes resisto a escrever aqui coisas que digam respeito a mim. É que não quero fazer do blog um diário virtual. Não pretendo abrir geral, tenho cá meus pudores, não sou livro aberto. Só deixo entrar na minha vida quem me faz querer escancarar portas e janelas.

Filosofices à parte, vou falar de uma coisa minha de que já falei por aqui: meu vício, o tal costume nocivo, a conduta danosa que se esvai em fumaça.

Larguei os tragos há exatos 54 dias. Muito bom, parabéns pra mim e tal, mas o não fumar me deixa tão ansiosa... rola uma dificuldade de me concentrar em qualquer coisa além do trabalho.

É estranho: ao longo do dia, trabalho feito maquininha, numa boa, sem em lembrar que cigarro existe. Mas, quando chego em casa e tento sentar pra ler um livro, ou pra escrever alguma coisa aqui no blog, ou pra fazer qualquer outra coisa que me desanuvie a cabeça, travo. Lembro da porcaria do cigarro, que nessas horas de relax era o mais leal dos companheiros, e travo. É como se sem o cigarro me faltasse também inspiração para a tranqüilidade.

Mas sigo firme no propósito. E, quando alguém fuma por perto, uma bizarrice me enche de alegria: peço que dê uma baforada bem na minha cara. O cheiro da fumaça pra mim é perfume. Adoro.

Acho que com o tempo isso passa, né?

28 de março de 2009

voltando pra casa

depois de dois meses e pouco longe daqui. O tempo tá correndo de mim, não sei pra onde. Vou em seu vácuo e acabo sempre chegando a algum lugar. Agora voltei para aqui - e vou tentar ficar.

18 de janeiro de 2009

Era uma vez um Obama encantado

Em 1996, a fotógrafa Mariana Cook trabalhava em um projeto sobre casais na América. Junto com a foto, Cook colheu um breve depoimento sobre a rotina da vida em comum, os sonhos, as aspirações e o modo como os pares se percebiam.

A
New Yorker desta semana traz uma das fotos do projeto. Tirada em Chicago em maio de 1996, um jovem casal de sobrenome Obama discorre sobre a vida a dois e amenidades cotidianas.

Michelle, por exemplo, conta que o marido tem aspirações políticas, coisa que a deixa aflita. Segundo ela, Obama é um “cara bacana demais” para o ceticismo e a brutalidade do meio. Ela mesma assume um “pé atrás” em relação à política.

Já ele fala da capacidade de Michelle em surpreendê-lo. Um Obama apaixonado conta que nos olhos da mulher “tremendamente forte” e confiante que ela é, consegue enxergar um quê de vulnerabilidade que surpreende e é imperceptível para quem a vê de fora. “Eu confio integralmente nela, mas ao mesmo tempo ela é um completo mistério para mim em alguns aspectos.”

É interessante ver o cara que depois de amanhã passará a carregar a responsabilidade do mundo nas costas falando da intimidade de seus sentimentos, absolutamente encantado pelo amor.

Será indício de uma Casa Branca mais humanizada?

11 de janeiro de 2009

W. Bush -quem diria!- aquece economia turca

Quem viu a notícia? Depois da quase sapatada que o W. Bush levou daquele jornalista iraquiano, o dono da empresa fabricante do calçado rebatizou seu produto.

Agora, o Modelo 271 se chama Bye Bye Bush:

Segundo a nota que vi no G1, o sucesso de vendas é tamanho que obrigou o industrial a contratar 100 novos funcionários.

Agora sim, W. Bush pode dizer que conseguiu em algum momento de seu governo dar um up na economia internacional.

Falando nele, você já viu a contagem regressiva para o
National bye bye Bush day?

Foto: AFP

3 de janeiro de 2009

Parco

Essa obrigação acinzentada, esse dever opaco de abdicar de um hábito...um hábito que com a insistência de anos e anos virou vício. E a verdade por detrás do vício: o costume nocivo, a conduta danosa, o ato diário de autodesamor que se esvai em fumaça. Por outro lado, uma frase de Clarice: "Mas como deixar de fumar? O calor humano é tão parco...”.


João Gabriel Maracci

22 de dezembro de 2008

Novo ano novo!


Que 2009 seja repleto

de abraços de Natal!


6 de dezembro de 2008

Sobre a razão da razão

Não fui à sabatina da Folha com José Saramago, mas li o resumo publicado na Ilustrada de sábado passado. De tudo o que ele disse, de tudo o que ele pensa, um trecho me martela a cabeça há uma semana. É forte e angustiante. E definitivo. Definitivo – será?

“Se ainda fosse só a guerra, em que as pessoas se enfrentam ou são obrigadas a se enfrentar... Mas não é só isso. Essa raia que no fundo há em mim, uma espécie de raiva às vezes incontida, é porque nós não merecemos a vida. Não a merecemos. Não se percebeu ainda que o instinto serve melhor aos animais do que a razão serve ao homem. O animal, para se alimentar, tem que matar o outro animal. Mas nós não, nós matamos por prazer, por gosto. (...) Não usamos a razão para defender a vida, usamos a razão para destruí-la de todas as maneiras – no plano privado e no plano público.”

José Saramago, 86, prêmio Nobel de Literatura em 1998
S.P., 28/11/2008


Ai...